diagnóstico:
é em vão regar as plantas com saliva
ou desenhar com os próprios dedos
corações nas janelas embaçadas
numa tentativa de ressuscitá-la
mesmo que eu lave o chão com prantos
ou que me masturbe nas quinas dos rodapés
ou que fale muito alto nos cômodos vazios
só para ouvir minha própria voz ecoar num lugar
entre o peito e a garganta
ainda assim
a casa continuará morta
as paredes alvejadas ostentarão pra sempre
essas molduras vazias
e nenhuma explosão será capaz de traduzir o barulho
que elas fazem ao gritar
autópsia:
a casa está morta
eu a matei
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